Como calcular custos e precificar doces artesanais corretamente (sem prejuízo e com lucro)

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Como calcular custos e precificar doces artesanais corretamente (sem prejuízo e com lucro)
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Você já sentiu que passa o dia inteiro na cozinha, entrega encomendas lindas, mas, no final do mês, o dinheiro parece sumir? Essa é uma dor comum na rotina de quem trabalha com açúcar e afeto. Muitos confeiteiros, tanto amadores quanto profissionais, trabalham exaustivamente e, no fim das contas, percebem que apenas “trocaram dinheiro”.

A verdade é que saber calcular custos e precificar doces artesanais é o que separa um hobby de um negócio sustentável. Precificar não é sobre “cobrar caro” ou tentar explorar o cliente. É sobre garantir que sua paixão possa continuar existindo. Sem o lucro na confeitaria artesanal, você não consegue repor seu estoque, não investe em novos cursos, não aprimora seus produtos e, pior ainda, acaba pagando para trabalhar.

Porque muitos confeiteiros têm dificuldade em precificar seus doces

O maior obstáculo para o sucesso financeiro na cozinha costuma ser emocional. A precificação para confeiteiros iniciantes é cercada de inseguranças. O medo de perder clientes faz com que muitos profissionais joguem o preço lá embaixo, acreditando que o valor baixo é seu único diferencial.

Além disso, existe uma grande confusão entre preço de mercado e custo real. Só porque o vizinho vende um bolo por um determinado valor, não significa que você deva fazer o mesmo. Os seus processos, a qualidade da sua matéria-prima e os seus gastos fixos são únicos. Sem um controle financeiro na confeitaria rigoroso, você fica à mercê da sorte, perdendo a chance de construir uma marca sólida.

Quais custos entram no preço final de um doce artesanal

Para entender o cálculo de preço na confeitaria, precisamos olhar para tudo o que sai do seu bolso antes do doce chegar à mão do cliente.


Custos com ingredientes

Este é o ponto de partida. O custo de ingredientes na confeitaria inclui tudo o que é comestível: chocolate, recheios, confeitos, açúcar, farinha e manteiga.

  • Padronização: É vital usar fichas técnicas. Se você não padroniza a quantidade de gramas de cada brigadeiro artesanal, por exemplo, seu custo flutua e seu lucro desaparece.
  • Qualidade: Usar insumos de excelência garante que o cliente volte, mas cada grama deve ser contabilizada no seu custo de produção na confeitaria.


Custos com embalagens

Nunca trate a caixa como um “brinde”. As embalagens no custo do doce são fundamentais, pois elas protegem o produto e elevam o valor percebido. Seja um pote de acrílico, papel chumbo para trufas ou fitas de cetim personalizadas, tudo deve estar na ponta do lápis. Lembre-se: o cliente paga pela experiência completa, e a embalagem é o primeiro contato dele com o seu trabalho.


Custos fixos e variáveis na confeitaria

Aqui é onde muitos se perdem.

  • Custos variáveis: São aqueles que aumentam conforme você produz mais (ingredientes, embalagens, taxa de entrega).
  • Custos fixos: São os gastos que existem mesmo se você não vender nada, como o aluguel do espaço, internet, MEI e, principalmente, a energia e o gás. É necessário fazer um rateio desses valores para que cada doce “pague” uma pequena parte das contas da casa ou do ateliê.

Como calcular o custo real de cada doce, passo a passo

Para precificar doces artesanais com precisão, você precisa seguir uma lógica matemática simples, mas detalhista:

  1. Cálculo do custo unitário: Divida o valor pago pelo pacote do ingrediente pela quantidade usada na receita. Se 1kg de chocolate custa R$ 50,00 e você usa 100g, o custo é R$ 5,00.
  2. Rateio de despesas fixas: Some suas contas mensais e divida pelas horas trabalhadas ou pela média de produtos produzidos.
  3. Mão de obra: Defina quanto você quer ganhar de salário (Pró-labore) e calcule o valor da sua hora.


Exemplo prático: Preço de brigadeiro artesanal

Se sua receita rende 50 unidades e o custo total de ingredientes + embalagens foi de R$ 40,00, seu custo unitário base é R$ 0,80. A esse valor, você deve somar a porcentagem de custos fixos (geralmente entre 10% a 20%) e o valor do seu tempo de produção antes de aplicar a margem de lucro. Ter uma planilha de custos na confeitaria ajuda a automatizar esses cálculos e evita erros manuais.

Margem de lucro: quanto cobrar para valer a pena

A margem de lucro na confeitaria é o valor que sobra para a empresa após pagar todas as despesas e a sua mão de obra. É esse dinheiro que será usado para comprar novos equipamentos ou expandir o negócio.

Na confeitaria artesanal, as margens costumam variar entre 30% e 50% sobre o preço final, mas isso depende do seu posicionamento de mercado. O erro fatal é “copiar o preço do concorrente”. O seu concorrente pode ter processos diferentes, fornecedores mais baratos ou, muitas vezes, ele mesmo pode não saber exatamente como calcular custos de doces e operando no prejuízo. Copiá-lo é correr o risco de quebrar junto com ele.

Erros comuns na precificação de doces artesanais

Evite cair nas armadilhas que drenam seu caixa:

  • Não contabilizar o próprio tempo: Seu trabalho não é de graça. Se você não cobra pelo tempo que passa enrolando doces, você não tem um negócio, tem um trabalho escravo de si mesma.
  • Ignorar pequenos custos: Papel manteiga, detergente e etiquetas parecem baratos, mas no volume mensal, fazem diferença no preço de doces artesanais.
  • Promoções sem planejamento: Dar desconto sem saber sua margem mínima é o caminho mais rápido para evitar como não ter prejuízo na confeitaria.

Como melhorar a precificação sem perder clientes

Se você percebeu que seu preço está baixo, não tenha medo de ajustar. A chave é aumentar o valor percebido:

  • Apresentação: Um doce bem decorado e uma embalagem impecável justificam um preço maior.
  • Storytelling: Conte a origem do seu chocolate ou o cuidado com a receita de família.
  • Kits e combos: Crie opções de presentes que facilitem a vida do cliente, aumentando o ticket médio sem necessariamente aumentar o custo de produção de forma proporcional.
  • Ajuste de cardápio: Se um ingrediente subiu muito, considere substituir o item no cardápio por algo mais rentável em vez de apenas absorver o prejuízo.

O preço certo é aquele que sustenta seu negócio

Dominar a arte de calcular custos e precificar doces artesanais é um ato de respeito profissional. Quando você define o preço correto, você garante que terá recursos para continuar produzindo delícias com os melhores produtos do mercado.

A organização financeira traz paz de espírito para criar. Lembre-se que a Loja Santo Antonio é sua maior aliada nessa jornada, oferecendo desde os ingredientes básicos até as embalagens que transformam seu doce em um verdadeiro presente. Com as ferramentas certas e o cálculo afiado, o sucesso é apenas uma consequência do seu talento.

12
jan
2026